Ir para o conteúdo

Notícias

Aquascent: como a IFF quer levar mais água à perfumaria fina

A IFF apresentou a Aquascent, tecnologia à base de água que promete unir transparência, alta carga de fragrância e uma logística mais eficiente.

Perfumista negra usa uma pipeta diante de vidrarias com líquidos transparentes em laboratório

Um perfume à base de água desperta uma dúvida que vem antes de qualquer nome de tecnologia: ele vai ter a mesma presença de uma fragrância alcoólica? E a sensação na pele, muda? A Aquascent, apresentada pela IFF, procura abrir novas possibilidades de formulação. Para quem usa perfume, as respostas ainda dependem dos produtos que as marcas criarem com ela.

A International Flavors & Fragrances, ou IFF, desenvolve fragrâncias, ingredientes e tecnologias para outras empresas. No anúncio de 30 de setembro de 2026, a companhia apresentou a Aquascent como um veículo aquoso para perfumaria fina. Não é um perfume pronto: é uma solução de formulação que pode chegar ao consumidor por meio de diferentes marcas.

A água entra; o desafio é manter tudo junto

Coloque azeite num copo com água e a dificuldade aparece diante dos olhos. Em uma formulação perfumada, os ingredientes são outros e o trabalho é muito mais sofisticado, mas a imagem ajuda: materiais aromáticos e água não formam naturalmente uma mistura estável e transparente.

Segundo a IFF, a Aquascent usa um veículo vegano, feito com uma fórmula proprietária baseada em materiais biodegradáveis. A empresa afirma que o sistema mantém a transparência, não deixa toque pegajoso e foi formulado sem adição intencional de etanol, conservantes ou silicone.

A empresa também anuncia propriedades hidratantes para a pele. São características divulgadas pela IFF, assim como a ausência de toque pegajoso; o comunicado não apresenta os protocolos completos que permitiriam avaliá-las de forma independente. O Homem Perfumado não testou uma fórmula com Aquascent.

“A Aquascent trata a fragrância à base de água como um sistema completo de perfumaria fina.”

Fatimata Dembele-Kuntzmann, gerente técnica sênior da IFF Scent, em tradução livre

De 10% a 25%: o número não conta a história inteira

A IFF informa que a Aquascent aceita cargas de fragrância entre 10% e 25%. No mesmo comunicado, compara esse intervalo a um limite de até 15% na maioria dos sistemas semelhantes.

Isso não cria uma nova categoria de concentração — e tampouco permite concluir que um produto formulado com 25% será automaticamente mais forte ou durará mais. A experiência final depende da composição, dos materiais usados, do modo de aplicação e da própria proposta da marca.

Líquidos transparentes sendo misturados em vidraria de laboratório
Em uma fragrância aquosa, transparência e estabilidade precisam ser construídas pela formulação. Imagem editorial: Homem Perfumado.

Uma ideia de logística escondida dentro do perfume

A água pode entrar na fórmula só no destino. A IFF informa que o veículo Aquascent pode ser fornecido concentrado, para que as marcas acrescentem água na produção final. A notícia começa com uma dúvida sobre o que será borrifado na pele e chega a outra escolha: o que precisa viajar até a fábrica.

Transportar menos água é a vantagem logística apresentada pela IFF, que também aponta uma possível redução nas emissões desse transporte. O anúncio não quantifica a economia. Para avaliar o ganho de uma operação específica, seria preciso conhecer seu percurso e sua escala.

Como será usar esses perfumes?

Essa pergunta continua aberta. Transparência do líquido e concentração de fragrância não contam sozinhas como um perfume cheira, evolui ou permanece perceptível. Também não permitem dizer que todos os produtos à base de água terão a mesma sensação: outras marcas podem usar sistemas diferentes da Aquascent.

O que a IFF apresentou permite discutir a formulação e o transporte. Para falar da experiência de uso, será preciso conhecer os perfumes que adotarem a tecnologia e testá-los. A curiosidade que fica é bem concreta: o que vamos perceber na pele quando essas soluções chegarem aos frascos?

Compartilhar

Continue lendo

Matérias relacionadas