Quem gosta de perfumes costuma conhecer as marcas, os frascos e, com um pouco mais de curiosidade, os nomes dos perfumistas. Mas existe uma parte enorme dessa indústria que trabalha longe das vitrines — e que ajuda a dar forma a muitas das fragrâncias que chegam até nós.
A Givaudan faz parte desse universo. A empresa desenvolve composições para outras marcas e, por isso, seus resultados oferecem uma perspectiva interessante sobre o negócio da perfumaria.
O balanço divulgado em 13 de outubro trouxe uma notícia especialmente boa para a perfumaria fina: as vendas comparáveis cresceram 15,3% nos primeiros nove meses de 2026.
É um avanço expressivo. Mas há um detalhe que merece atenção: no mesmo período de 2025, o crescimento havia sido ainda maior, de 18,7%.
Enquanto os perfumes finos continuaram avançando, mas perderam um pouco de velocidade, outra atividade da companhia fez justamente o caminho contrário.
Nem todos os negócios cresceram no mesmo ritmo
Os produtos de consumo, categoria que inclui fragrâncias desenvolvidas para itens do cotidiano, passaram de um crescimento de 5,9% nos primeiros nove meses de 2025 para 9,3% em 2026.
Já a atividade de ingredientes de fragrância e Active Beauty saiu de uma alta de 1,5% para uma queda de 2,5%.
São movimentos diferentes dentro de uma mesma divisão. A perfumaria fina continua com a maior taxa de crescimento, mas não foi a atividade que mais ganhou velocidade.
No conjunto, Fragrance & Beauty avançou 8,8% nos nove meses de 2026, depois de crescer 8,0% no período equivalente do ano anterior.

O que esses números dizem — e o que não dizem
Existe uma distinção importante: estamos falando dos resultados da Givaudan, não de um levantamento de todas as marcas de perfume do mundo.
Os percentuais seguem o critério de vendas comparáveis, conhecido como LFL, que considera ajustes de câmbio e determinados efeitos de aquisições e desinvestimentos. Portanto, não representam a quantidade de frascos vendidos.
Ainda assim, os dados ajudam a enxergar algo que nem sempre aparece quando pensamos em perfumaria: o setor não vive apenas dos lançamentos que chegam às prateleiras.
Por trás de uma fragrância existe uma cadeia de criação, desenvolvimento e fornecimento. E acompanhar empresas como a Givaudan é uma maneira de conhecer melhor essa parte menos visível do universo que tanto nos interessa.
